Nós sempre gostamos de viajar, mas foi há cerca de dois anos que fizemos desse hobby um estilo de vida. Junto da Nath, com quem divido a autoria do blog Vida Móvel, me mudo de país a cada três meses desde então (começamos fazendo viagens pelo Brasil e América Latina e hoje já faz um ano que estamos pela Europa). Já passamos pela Croácia, pela Sérvia, por Portugal, Ilha de Creta, na Grécia e agora estamos na Romênia, preparando as malas para ir para a Hungria. Somos marketers, mas sabemos que viajar o mundo trabalhando também é um desejo de boa parte de quem está no mercado de TI.

Tudo começou quando nós montamos uma pequena agência de marketing digital de resultados, a Mareorama, quando ainda morávamos em Florianópolis (SC), em 2016. A empresa já nasceu digital, o que quer dizer que desde o início nós trabalhávamos de forma 100% remota. O home office nos deu liberdade para organizar nossos horários, dias e ano, porque passamos a combinar quando queríamos estar trabalhando (não ficamos mais 8h no trabalho por obrigação).

Por consequência, passamos a dar mais atenção às nossas vidas pessoais. “Nós nos sentimos mais vivos quando podemos viajar o mundo”, pensamos na época e até hoje. Começamos levando trabalho em algumas viagens, como as que fizemos pelo México e pela Argentina, até que não fez mais sentido ter casa, porque queríamos isso o tempo todo.

Viajar o mundo trabalhando remoto, quando se tem uma empresa, nem sempre é fácil. Afinal, temos um negócio, que exige responsabilidade. Mas conseguimos ser mais conscientes e flexíveis sobre o que almejamos para a nossa vida. Sabemos quanto queremos ganhar para atingir o nosso objetivo e o que queremos que o trabalho represente na nossa vida. E o mais importante de tudo: temos controle sobre o nosso viver.

“A cobrança não veste terno e nem passa atrás dos nossos computadores, é a nossa consciência que vive lembrando que é preciso trabalhar para não deixar de viver viajando.”

Então decidimos compartilhar seis descobertas vindas da experiência que tivemos até aqui. Esperamos que elas possam ser valiosas para quem quer trilhar um caminho parecido com o nosso. São elas:

1. Empreender não precisa ser um sonho

Ainda na faculdade, estudei Cinema e a Nath, Jornalismo. Nunca tivemos o sonho de empreender, muito menos com marketing digital. Mas decidimos usar nossas experiências prévias nessa área como uma forma de alcançar o que a gente quer, que é viver viajando.

Com isso, o que queremos dizer é para você se livrar do romantismo que cerca o empreendedorismo. E encará-lo como uma ferramenta que também pode te ajudar a conquistar mais rápido o que deseja. Abrir uma empresa, nesse sentido, é um meio, e não um fim. Essa visão retira o fardo que o trabalho pode representar em alguns cenários, porque permite viver uma vida plena, baseada no que se acredita.

2. Trabalhar por conta própria nos faz entender nosso valor

Vemos que há muitas pessoas que temem ganhar menos quando largam um emprego e passam a trabalhar por conta própria, inclusive nós mesmos pensávamos assim. Isso acontece porque, em uma empresa, dificilmente se conhece o próprio valor de mercado.

É claro que você enxerga importância na tarefa que executa, mas sabe dizer o quanto ela representa? Indo além: a sua folha de pagamento corresponde a esse valor? Dificilmente não, porque a chefia sabe (ou deveria saber) que é praticamente impossível manter-se produtivo em uma jornada tradicional de oito horas por dia.

viajar o mundo trabalhando

Tudo isso muda à medida que se começa uma carreira independente, especialmente se você abre uma empresa e precisa comunicar esses valores aos clientes (não à toa a precificação é um dos maiores desafios). Nesse contexto, você é obrigado(a) a entender o quanto vale. Nós nos surpreendemos quando vimos que estávamos ganhando seis vezes mais e, ao mesmo tempo, sendo mais produtivos. Tudo isso sem abrir mão do crescimento profissional.  

3. Trabalhar remoto no exterior pode ser um diferencial

A maioria dos nossos clientes tem sede no Brasil. Por isso, há quem nos pergunte se o fato de vivermos nos mudando não é algo que gere insegurança em alguma medida. A nossa resposta é a seguinte: não precisa ser assim.

Para trabalhar remoto, é preciso autogerenciamento, clareza sobre prioridades, organização e comunicação clara, principalmente. E nós fazemos questão de transmitir essas soft skills àqueles que pagam pelo trabalho que desempenhamos.

Isso faz com que o nosso nomadismo seja um valor a mais na venda. Desde que expliquemos como lidamos com o fuso-horário, por exemplo, além de detalhar como acontece a dinâmica com o cliente, cuja curiosidade é completamente natural e esperada. Já aconteceu até mesmo de nos encontrarmos com alguns clientes durante as nossas viagens.

4. Nada vale mais do que liberdade de moldar a própria vida

Hoje, nós sentimos que somos mais conscientes sobre as próprias escolhas que fazemos. Não somos mais sugados por uma rotina exaustiva de trabalho, que nos fazia sofrer por só ter 30 dias de férias para explorar o mundo. Conquistamos, finalmente, a liberdade que tanto queríamos.

viajar o mundo trabalhando

E, para nós, liberdade é poder viajar sempre. Talvez o seu estilo de vida não seja esse. Ou você, de fato, sempre sonhou com isso, como a gente. O importante é poder moldar a vida como se quer para atingir o que se quer.

5. Os custos de viver viajando não precisam ser os mesmos das férias

Quando se tem só 30 dias de férias, é comum planejar uma viagem que funcione como uma válvula de escape. Afinal, você juntou dinheiro o ano todo, trabalhou duro para isso e, portanto, merece se hospedar naquele hotel cinco estrelas ou jantar naquele restaurante prestigiado pelo Guia Michelin. É como se fosse uma compensação por todos os outros onze meses de sofrimento.

Isso não acontece quando se vive viajando. Principalmente quando o estilo de viagem é o Slow Travel, que adotamos desde o início. Nós não gastamos rios de dinheiro. Pelo contrário: mantemos (ou até baixamos) o orçamento que tínhamos quando havia um endereço fixo.

“O slow travel nos permitiu deixar a nossa casa sem querer voltar.”

Fazemos comida em casa, não precisamos escolher um Airbnb colado aos pontos turísticos e, aliás, fugimos de locais essencialmente turísticos. Tudo porque temos tempo para descobrir o que queremos (e não o que o seu amigo ou o guia querem) com calma.

6. Não é preciso estar 100% preparado para viajar o mundo trabalhando remoto

A hora certa para começar a viver viajando não chegou para a gente nem nunca chega para ninguém. Você nunca vai se sentir totalmente pronto para isso e, mesmo que se sinta, pode até se autossabotar. Portanto, é preciso ter coragem para aprender ao longo do caminho.

“O caminho não fica mais fácil, você é que fica mais corajoso.”

Você também não precisa fazer tudo no trabalho para viver dessa forma. Saiba que as parcerias entregam mais valor para o cliente, fortalecem a marca e ainda aumentam a rede de indicações.

Assim como a Impulso Network, também acreditamos no poder que times com talentos bastante diversos entre si possuem quando estão conectados, mesmo de forma remota.

Especialmente levando em consideração o que também projetamos como sendo o Futuro do Trabalho, que proporciona uma carreira independente e livre.

Trabalhar viajando não apenas deslocou o nosso trabalho de lugar, mas produziu mudanças tectônicas – como nós trabalhamos, como enxergamos o trabalho, quanto conseguimos gerar de produção e renda por meio dele. Foi preciso estremecer, para que as coisas então se assentassem novamente.

Não é porque o mundo todo trabalha de um jeito que essa é a única forma. Há outras formas e nós descobrimos a nossa viajando.

Você tem alguma dúvida ou deseja fazer algum comentário sobre viajar o mundo trabalhando remoto? Conta para a gente. Nós queremos te ajudar.