A última inovação para o mercado de telefonia móvel, a rede 5G, já começou a ser disponibilizada em vários países e trouxe consigo além de grande desempenho, muitas polêmicas. Enquanto, no Brasil, ainda nos preparamos para que operadoras e smartphones tenham suporte à nova tecnologia, é importante compreender o que é, como funciona, como afetará nossas vidas e se alguma das preocupações que têm circulado na rede realmente é verdadeira. 

1G, 2G, 3G, e 4G 

Para começar, precisamos compreender o que significa exatamente cada “G” quando nos referimos às redes móveis. Cada G representa uma Geração de tecnologias que aderem a novos padrões de velocidade, conectividade, latência e alcance. Quanto maior o número, mais moderna e capaz é a rede. Por exemplo, o sinal de 1G trata-se de informações de telefonia analógicas. Já a rede 2G – muitas vezes representada pela letra E em nossos celulares – já era totalmente digital. Talvez de maior relevância para o território nacional devido à sua cobertura e uso em máquinas de cartão de crédito, a rede 3G possui velocidade máxima de 200kbps, enquanto a rede moderna 4G pode atingir a casa das centenas de megabits por segundo. 

Muitas vezes, algumas redes podem receber melhorias incrementais sem mudanças significativas nos protocolos, aumentando a velocidade sem necessariamente representar uma nova geração, é o caso do 3G+ e 4G avançado que algumas operadoras podem disponibilizar em certas regiões. 

Com a chegada de uma nova geração de rede móvel, como é o caso da 5G, é necessário que operadoras instalem estações e antenas de transmissão por todo o território onde haverá cobertura, e os aparelhos celulares também precisam vir, de fábrica, com modems capazes de captar e interpretar os sinais novos. Por isso, é pouco provável que seu smartphone atual tenha suporte às novas redes, mas vale a pena se atentar a essa compatibilidade na hora de buscar pela compra de um novo aparelho.

A nova geração – 5G

Para aumentar ainda mais a velocidade das já muito avançadas redes móveis, a tecnologia 5G precisou adotar uma série de métodos diferentes, por isso, trata-se de uma rede um tanto complicada, que pode ser dividida em 3 subcategorias:

Low-band: Trata-se de sinais enviados em frequências menores que 2GHz. Esses sinais eram, anteriormente, utilizados pela televisão analógica e rádios que agora não estão mais em uso. A vantagem é o longo alcance de suas ondas, e a desvantagem é o menor número de canais disponíveis, limitando a velocidade, que fica mais próxima àquela encontrada nas redes 4G. 

Mid-band: Redes com sinal intermediário, entre 2 e 10GHz. A maior parte das redes Wi-Fi e celular já existem dentro dessa frequência, o que permite o uso da tecnologia DSS para que redes 4G se misturem com 5G, facilitando a captura inicial do sinal e transição suave entre áreas com e sem cobertura. Possuem alcance considerável, com velocidade média, portanto, é o tipo mais utilizado pelas operadoras para providenciar a cobertura inicial. 

High-band: Também conhecida como ultra-alta frequência, ou onda-milímetro, é o tipo mais peculiar de rede sendo utilizada na geração 5G. Tratam-se de ondas entre os 20 e 100GHz. A grande desvantagem dessa categoria é o baixíssimo alcance do sinal, não passando dos 250 metros desde a antena de transmissão. A vantagem, no entanto, são velocidades assustadoras que atingem a casa dos gigabits por segundo, mais rápidas que muitas redes domésticas de internet cabeada. 

Benefícios da rede

Para entusiastas e especialistas, a propagação de redes 5G, principalmente a versão high-band, pode significar um salto tecnológico sem precedentes. Com velocidades tão altas em aparelhos sem fio, e com menor consumo de energia que redes anteriores, seria possível implementar uma nova geração de aparelhos inteligentes como relógios, anéis e óculos, além de potencializar a internet das coisas, com aparelhos conectados servindo diversas funções dentro de casa e se comunicando em altas velocidades. 

Polêmica: Riscos à saúde e privacidade 

Frequentemente o lançamento de novas tecnologias vem atrelado a movimentos de conspiração e preocupação popular. Na maioria dos casos, essa resposta é oriunda da falta de informações de fácil compreensão sendo disseminadas para o público. No caso das redes 5G, a situação se tornou mais crítica pois grupos ampliaram a ideia de que as torres seriam causadoras de câncer, espionariam nos usuários, ou seriam até mesmo as causadoras da COVID-19. No Reino Unido, pessoas se organizaram para destruir as torres recentemente instaladas pelas operadoras, custando milhões em danos e deixando áreas sem cobertura móvel. Será que tudo isso é verdade?

Privacidade

Para começar, em relação às preocupações sobre a privacidade durante o uso, de fato as redes 5G – como qualquer rede de telefonia – podem permitir que as operadoras coletem diversos dados dos usuários, como localização estimada, sites que estão sendo acessados, e meta-dados sobre o tráfego na rede. Para muitos, isso pode ser considerado invasivo, no entanto tecnologias simples, principalmente uma VPN, já são o suficiente para remediar essas preocupações relativas à espionagem digital. 

Saúde

Em relação à saúde, o nome “micro onda” associado às redes high-band convenceu muitos internautas de que o sinal poderia literalmente cozinhar, aos poucos, nossos corpos, assim como um forno de micro-ondas. No entanto, esses sinais não chegam nem perto de carregar a mesma energia que um forno, e não usam a mesma frequência. Ao tratarmos de radiação eletromagnética, podemos separar em radiação ionizante e radiação não ionizante. A radiação ionizante é forte o suficiente para deslocar elétrons, ou seja, ao atingir nossos corpos, pode afetar o DNA e causar doenças como o câncer. Já a não ionizante não possui efeito em nossos organismos, sendo completamente ignorada. Todas as frequências de 5G já estão em uso faz décadas em canais de TV, rádio e dispositivos como babás eletrônicas. Não existe nenhum estudo científico que comprove danos à saúde relacionados à exposição a esse tipo de onda. 

E quanto à COVID? Bem, simplesmente não há sentido na correlação entre um vírus altamente infeccioso e antenas de sinal de telefonia. 

Conclusão

Redes 5G são a mais recente inovação para o mundo da internet móvel. Em breve, veremos torres e aparelhos compatíveis se espalhando por todo o nosso território, possibilitando velocidades altíssimas e uma nova geração de aplicativos para nossos dispositivos, tudo isso sem riscos à saúde. Para conhecer melhor uma tecnologia que será beneficiada pelas redes 5G, veja como são os progressive web apps para smartphones.