O fato de termos foco e buscarmos sempre produtividade muda a nossa relação com o tempo. Mas, com toda a informação infinita que temos sobre este assunto, como poderíamos realmente mudar os nossos hábitos e conseguir fazer as coisas sem enlouquecer?

A má notícia é: provavelmente, não há receita para transformar uma pessoa numa máquina de produtividade. E agradeço a Deus por isso. Somos humanos, somos diferentes e essa é a diversão em toda esta experiência, porque é isso que nos permite crescer.

Todos chegamos a algum ponto de nossas vidas quando nos damos conta de que os nossos esforços não são suficientes, por mais que nos esforcemos. Eu percebi isso quando o meu bebê nasceu. Tive que cuidar dele, de mim, da minha família e, além disso, tive de continuar a trabalhar, estudar, praticar exercícios, e ainda sentir que eu tinha que ser grande em tudo isso.

Percebi, naquele momento, que tinha que (re)pensar o modo como eu estava lidando com tudo aquilo, a fim de manter a minha sanidade.

Antes de mais nada, aceitei que ia cometer erros, por mais que tentasse não comete-los. Somos humanos e nos esquecemos do nosso direito de sermos imperfeitos. Aceitar isso nos torna mais leves. As crianças aprendem depressa porque abraçam os erros e continuam a cometê-los.

Depois disso, redesenhei o meu propósito profissional. Sou Designer, por isso, basicamente, descobri que tinha de redesenhar uma nova rotina de trabalho, para a minha nova vida. Me questionei sobre a minha verdadeira identidade como profissional, fiz alguns cursos, coloquei no papel o que me moveu naquela época e (re)descobri a minha paixão por ser designer. Mas, desta vez, descobri a leveza do trabalho remoto.

Ter clareza do nosso próprio propósito é a chave, eu diria. Hoje em dia sei claramente que adoro fazer o que faço, e pretendo continuar melhorando, através de muito trabalho e estudo. Mas, essas coisas podem e devem ser leves.

Esta é outra lição que o meu filho me ensinou: fazer o que amamos deve ser como brincar.

Mas, eu não sou apenas uma UX designer. Sou mãe, esposa, amiga, fã de esportes, jogadora de videogame, leitora, fã da minha própria casa e de atividades ao ar livre. Essas pequenas partes de nós são o que nos tornam únicos, e negar até mesmo uma parte delas é uma agressão contra nós mesmos.

O que ninguém te fala sobre o planejamento da sua milagrosa rotina para ter mais produtividade é que cada pedaço de você tem o seu lugar. E é aí que acontece a mágica de uma vida equilibrada: você planeja suas tarefas de trabalho, mas também planeja brincar de Lego com os seus filhos, ler o seu livro favorito, correr e assim por diante.

Nossas agendas foram projetadas para tarefas sérias e entediantes como se fôssemos robôs. Nós não somos. Portanto, o meu humilde conselho: escave sua alma, descubra o que te move, o que te faz rir, o que é realmente importante para você, e planeje sua vida para dar espaço à essas coisas. Você pode usar uma agenda normal ou até mesmo um calendário do Google para que, um dia de cada vez, você possa construir o hábito.

Certa vez, ouvi dizer que quando alguém está vivendo seus últimos minutos na vida, não se arrepende de ter comprado um carro ou uma casa nova. Se arrepende de não ter vivido bons momentos com aqueles que ama.

Obrigada por ler! 🙂