As principais lideranças governamentais do mundo todo têm destino certo a cada início de ano: a cidade de Davos, na Suíça. É nos Alpes que acontece o Fórum Econômico Mundial, uma fundação sem fins lucrativos criada há quase meio século em Genebra. Além de moldar a agenda futura da globalização, o evento costuma debater o futuro profissional.

Outros assuntos prioritários da agenda recente de Davos costumam ser o “déficit de lideranças”, a imigração, o combate ao aquecimento global e a busca de soluções comuns entre os países. Em 2019, o evento teve a participação de 70 governos e de líderes dos mais variados setores. No total, foram 3,5 mil pessoas presentes, entre elas o presidente Jair Bolsonaro, que estreou no Fórum.

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As principais temáticas abordadas na edição de 2019

Com base no que vivenciou em terras suíças, o sócio-gerente global da consultoria McKinsey & Company, Kevin Sneader, que coordena uma série de pesquisas relacionadas ao futuro profissional (dentre elas esta que destaca as características do profissional do futuro na tecnologia), acredita que este será um ano pautado pela cautela.

De acordo com a avaliação do líder, estas foram as quatro grandes temáticas abordadas ao longo do Fórum Econômico Mundial:

  • inteligência artificial (IA);
  • futuro do trabalho;
  • tensão geopolítica;
  • preocupação social (como o meio ambiente e a desigualdade social e de gênero).

Sneader lembrou que executivos do mundo todo mostraram-se interessados em encontrar um lugar para a IA em suas empresas, já que estão de olho no futuro profissional. No entanto, o líder reconheceu que a tecnologia ainda suscita dúvidas no ambiente corporativo, principalmente a respeito da privacidade e da retenção de dados.

Associar a produção de dados qualitativos a implementações escaláveis foi um dos caminhos apontados pelo especialista para ter bons resultados com a inteligência artificial.

Intimamente relacionado ao tópico anterior, o futuro do trabalho também foi discutido no Fórum de 2019. Para o executivo da McKinsey, o treinamento das empresas terá de ser remodelado. Isso porque outras características de profissionais serão demandadas. Sneader usou como exemplo algo que viu em Davos: check-in automático na hotelaria, o que vai exigir uma mudança de comportamento dos funcionários desse setor.

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3 insights diretamente da Suíça relacionados ao futuro profissional

Quando se pensa em futuro profissional, ainda se perde muito tempo tentando adivinhar quais empregos vão deixar de existir. O Fórum Mundial Econômico, por outro lado, tentou pautar o outro lado da discussão: a criação de novos postos de trabalho. Veja as 3 apostas abaixo que foram destacadas pela organização do próprio evento:

  • É fundamental projetar e construir tecnologias inclusivas e flexíveis

O viés questionável de alguns algoritmos se deve ao fato de terem sido construídos por homens brancos, que não compreendem a demanda das mulheres e da população negra. Nesse sentido, o cofundador e vice-presidente do LinkedIn, Allen Blue, comentou no Fórum que machine learning e IA tornam-se cada vez mais fundamentais para a forma como a tecnologia será projetada. Segundo ele, é preciso fazer isso da maneira certa.

Além da criação de tecnologias inclusivas, Blue também defendeu a flexibilidade do local de trabalho por meio delas. Para o líder, é bastante importante que as pessoas tenham mais equilíbrio em suas vidas no futuro profissional. O trabalho remoto é uma forma de alcançar isso na visão dele — e da Impulso Network, onde são anunciadas oportunidades de trabalho à distância com bastante frequência, também.

  • É preciso fomentar a formação de jovens e pessoas desempregadas

O futuro profissional também foi debatido em Davos por meio da perspectiva governamental. A ministra do Trabalho francesa, Muriel Pénicaud, por exemplo, apresentou um programa de requalificação em vigor no país europeu.

Ministra do Trabalho francesa, Muriel Pénicaud, no Fórum Econômico Mundial

A iniciativa prevê o fornecimento de 500 euros por ano para que cada pessoa jovem ou sem emprego possa escolher os próprios treinamentos que deseja fazer. O programa, que vai atingir 2 bilhões de pessoas ao final de cinco anos, tem custo 15 bilhões de euros.

A lógica empregada pelo governo francês é de que, atualmente, o acesso aos recursos financeiros é mais fácil do que o acesso às habilidades. “Muitos de nossos cidadãos pensam que são vítimas da globalização e da tecnologia. Quando você não está no comando, a mudança é sempre uma ameaça. Você precisa estar no comando, você precisa ser capaz de escolher o seu futuro”, enfatizou a ministra.

  • Um novo modelo de educação se faz necessário

Ginni Rometty, que é CEO da IBM, chamou de Quarta Revolução Industrial o que momento que se vive no mundo hoje. Para ela, a automação acentua a lacuna de habilidades e, consequentemente, o medo e a insegurança no trabalho. A líder acredita que a totalidade dos empregos irá mudar.

Por outro lado, Ginni aposta que a crise de competências pode ser superada. Para isso, ela sugere um novo modelo de educação e de carreira. “Mesmo que muitos procurem revitalizar as indústrias tradicionais, a criação duradoura de empregos exigirá uma compreensão de novas dinâmicas importantes no mercado de trabalho global. Não se trata de empregos de colarinho branco versus empregos de colarinho azul, mas de empregos de um ‘novo colarinho’ que os empregadores de muitos setores exigem, mas que permanecem em grande parte não disponíveis”, explicou.

Computação na nuvem, cibersegurança, design digital e negócios cognitivos são exemplos de futuro profissional citados pela CEO que são regidos por outro formato de aprendizado. Na visão dela, é preciso um conjunto de habilidades que foge da educação formal, ainda que as recrutadoras ainda valorizem um diploma universitário.

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Quando você pensa no seu futuro profissional, o que enxerga? Tem buscado estilos de trabalho mais alinhados a isso? Deixe seu comentário ou dúvida no espaço abaixo e não deixe de fazer parte da Impulso Network para discutir sobre tudo o que vem por aí.