Nós apostamos que você conhece alguém que, recentemente, largou aquele “emprego dos sonhos” por dar-se conta de que ele não era tão dos sonhos assim. Nesse contexto, em que os profissionais reinventam-se em uma frequência cada vez maior, a missão de imaginar o que será o futuro do trabalho torna-se até difícil, mas nós temos algumas pistas. Vamos por partes:

As relações de trabalho estão em constante mudança desde que se estabeleceram. O modelo econômico atual, no qual os trabalhadores povoam fábricas ou prédios por períodos indeterminados, começou a se desgastar na década de 60 nos Estados Unidos (com a ascensão econômica da Alemanha e do Japão) e depois foi dilacerado pela concorrência chinesa a partir dos anos 2000. Desde então, o futuro do trabalho está assentado em uma estrutura mais adaptável, que possa ser montada com base nas necessidades específicas de um momento.

Paralelamente a isso, a transformação digital, proporcionada pela internet e, mais recentemente, por inteligência artificial, machine learning e robôs, acelera essas alterações diariamente. No entanto, a tecnologia não é a única responsável por moldar o futuro do trabalho. Isso porque as próprias pessoas e empresas, ao acompanhar essas transformações, mudam de perspectiva, interesses e propósitos.

“A tecnologia não é a única responsável por moldar o futuro do trabalho”


O modelo de Hollywood

Aqui na Impulso Network, acreditamos que o futuro do trabalho está baseado em uma estrutura descrita neste artigo do jornal The New York Times. Trata-se do modelo de Hollywood, que é uma abordagem para os negócios baseada em projetos. Tão logo uma demanda é identificada, uma equipe de experts (composta por pessoas diferentes e com habilidades complementares) é montada e trabalha-se em conjunto durante o tempo necessário para desempenhar a tarefa. Depois, o time se desfaz.

O modelo já vem sendo usado em diversos setores, seja para iniciar restaurantes ou criar aplicativos, e deverá intensificar-se nos próximos anos. O governo da Índia, por exemplo, montou um time temporário para implementar o sistema de identificação biométrica. Já a administração da Estônia nomeou o diretor de uma das maiores companhias de software do Báltico para arquitetar seu programa de residência eletrônica, segundo este texto.

 

Apesar de ter surgido na indústria cinematográfica, como sugere o artigo do Times, essa alternativa ao modelo corporativo tradicional encaixa-se ainda mais ao segmento da Tecnologia da Informação (TI). Dentre outros fatores, a aderência é maior devido ao dinamismo que a tecnologia permite, à cultura opensource descentralizada em funcionamento há décadas, às ferramentas que permitem automações e colaboração à distância e de forma efetiva e por aí vai. Não é à toa que as startups adaptam-se mais rapidamente às mudanças do mercado.

Arriscamos dizer que a área de TI é a mais preparada para o futuro do trabalho regido pelo modelo de Hollywood. Basta olhar para a quantidade de eventos de comunidade que acontecem diariamente e, principalmente, reforçam o networking tão preciso nessa estrutura de trabalho. Além disso, profissionais de tecnologia são naturalmente habituados a utilizar ferramentas de trabalho remoto para gestão, comunicação e produtividade. Nós só precisamos de um notebook para mostrar do que somos capazes, não é mesmo?

O que não é o futuro do trabalho

Quando se utiliza como exemplo o modelo de Hollywood para ilustrar o futuro do trabalho, três outros conceitos são comumente associados. O primeiro deles, GIG economy (economia sob demanda, em tradução livre), é um modelo projetado para dar conta de tarefas de curtíssimo prazo, gerenciáveis por uma pessoa, normalmente em menos de um dia — a exemplo do Uber.

De acordo com esta publicação da Harvard Business Review, o segmento está em expansão: em média 150 milhões de trabalhadores na América do Norte e na Europa Ocidental deixaram seus empregos em uma empresa para se transformar em trabalhadores autônomos. Eles foram atraídos, é claro, pelo surgimento de plataformas específicas, cuja indústria de serviços intensivos em conhecimento e ocupações criativas é a maior e a que mais cresce na economia freelance.

Os outros são o Upwork e o Fiverr, dois marketplaces onde freelancers e clientes normalmente sem rosto reúnem-se para fazer um trabalho o mais barato possível. Não raro, por isso, a entrega deixa a desejar. Esse são modelos que funcionam somente para tarefas que podem ser descritas nos mínimos detalhes para que uma pessoa possa executar. Por serem tão operacionais, não são propostas adequadas para montar uma equipe de trabalho criativo (o que também denominamos de Trabalho do Conhecimento). O jornal El País chamou de “ultraflexíveis” os profissionais adeptos a essas plataformas em um artigo bastante crítico aos modelos.

Apesar de possuir alguns elementos de cada uma das abordagens listadas acima, o futuro do trabalho encontra respaldo em um modelo próprio (que difere de um marketplace de freelancers e, ao mesmo tempo, extrapola atividades de curtíssimo prazo como uma corrida de Uber), sobre o qual iremos detalhar a seguir.

O que é futuro do trabalho

Baseado no modelo de Hollywood, o futuro do trabalho será aquele em que os profissionais terão de pensar, principalmente para criar experiências positivas, mesmo se executarem atividades normalmente consideradas menos estratégicas (mas serão bem remunerados para isso). O trabalho de atender clientes em uma recepção é visto como operacional, por exemplo, mas cada vez mais haverá a exigência de criatividade dos profissionais recepcionistas para que consigam lidar com situações adversas.

futuro do trabalho

 

Como menciona este artigo, daqui para frente será a vez dos Creative Workers, que aliam experimentação e prática à atualização contínua de conhecimentos. Os profissionais que, caso não consigam acompanhar tecnologias mais responsivas, rápidas e dinâmicas, além de processos mais fluidos, ficarão para trás no mercado de trabalho.  

O futuro do trabalho que leva em consideração o modelo de Hollywood também é sob demanda, mas composto por uma rede de especialistas. Para além de capacidades técnicas, são demandados aspectos comportamentais (soft skills como empatia, resolução de conflitos e capacidade de negociação), o que faz com que os melhores profissionais sejam aqueles com um modelo de reputação embutido e que saibam, por exemplo, como se comportar e colaborar para se ter sucesso.

O que muda para os profissionais

No modelo de Hollywood aplicado à TI, que tem a cara do futuro do trabalho, desenvolvedores e desenvolvedoras, designers ou marketers não têm um emprego como conhecemos tradicionalmente. Por outro lado, são empresários de si mesmos e definem para quem e com o que querem trabalhar. Esses profissionais também podem atuar exclusivamente para uma empresa ou ter múltiplas fontes de receita ao trabalhar com várias simultaneamente.

Para se adaptarem ao futuro do trabalho e serem atrativos para o mercado, os profissionais terão de desenvolver seu próprio branding pessoal. Também vão ter de organizar, de maneira apresentável, um histórico a respeito da própria atuação que vai muito além de um currículum vitae ou de um portfólio atualizado. Esse documento, que é uma espécie de registro de reputação digital, deve destacar experiências, valores e propósitos, além de resultados gerados.

A despeito da necessidade de saberem vender seus conhecimentos, são os próprios profissionais que escolhem os projetos que querem contribuir. Por terem habilidades altamente procuradas, estão em uma posição confortável de negociação.

Assim, têm maior poder de escolha a partir da abundância de opções. Isso se estiverem nas redes corretas, é claro, relacionando-se com as pessoas certas. A tríade reputação-conexão-oportunidades é diretamente proporcional entre si.

Além de terem maior flexibilidade, de escolha e de rotina, já que podem atuar em home office, alguns profissionais podem ganhar até 50% a mais do que no mercado convencional, de acordo com a nossa percepção de mercado. E o que é melhor ainda: conseguem conectar-se, por meio do trabalho, com os seus propósitos de vida. Neste modelo de futuro do trabalho, acreditamos que a média de somente 13% dos profissionais estarem engajados, de acordo com a Human Capital Trends, uma pesquisa da Deloitte, será consideravelmente aumentada.

O que muda para as empresas

Com profissionais mais engajados, as empresas ganham em produtividade. Também se tornam mais flexíveis ao permitirem, por exemplo, o trabalho remoto. Se a melhor mão de obra estiver em um ano sabático do outro lado do mundo, acredite, o gestor vai querer contratá-la mesmo assim.

A infraestrutura completa de Recursos Humanos (RH), por sua vez, pode ser minimizada, assim como o processo lento de contratação que é comum a grandes empresas. Isso porque a escolha por profissionais para determinados projetos pode ser mais ágil quando se utiliza de outras abordagens. Para isso, é preciso contar com o apoio de redes específicas que sejam capazes de conectar os times mais adequados para a realidade de cada empresa.

A corporação ainda passa a contar com uma elasticidade maior das equipes, que acompanham as demandas variáveis do mercado. Hoje, por exemplo, a linguagem de desenvolvimento Ruby é uma das mais valorizadas e as fintechs são as que mais contratam squads remotos, mas isso pode mudar a qualquer instante e as empresas precisam encontrar as pessoas com maior fit com a mesma agilidade.

Outro aspecto interessante é que, por não serem funcionários de determinadas empresas, os times têm mais autonomia. Por consequência, também possuem menos medo de arriscar (saíram da sombra da demissão), o que gera mais engajamento, contribuição e resultados para as empresas.

Como começar a fazer parte do futuro do trabalho?

Se você se interessou pelo futuro do trabalho composto por times sob demanda, a principal dica para começar a se preparar é: faça parte de alguma rede como a Impulso Network. Integre, acompanhe, interaja. Aos poucos, você irá entender melhor o terreno.

Depois de conhecer como funciona esta dinâmica diferenciada, perceber como é possível agir e colaborar, você se sentirá com mais segurança para dar o salto de fé entre um emprego convencional e a carreira independente. Também participe de eventos a fim de se conectar com as pessoas e não se esqueça das comunidades online. Caso tenha ficado com alguma dúvida, não deixe de entrar em contato conosco pelos comentários.