É bem provável que a função que você desempenha hoje não existia há 10 anos. Não queremos ser pessimistas em relação à sua carreira, mas a mesma atividade também tem poucas chances de sobreviver à próxima década, afinal 47% dos empregos tendem a desaparecer nos próximos 20 anos, segundo um estudo da Universidade de Oxford. Apesar de trazer incertezas ao tornar alguns tipos de trabalho obsoletos, a transformação digital também cria novas posições a partir de talentos específicos. Essas últimas é que vão exigir determinadas características do profissional do futuro.

Nas contas da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), por mais que o setor de TI gere pelo menos 1,3 milhão de empregos, ainda existe um déficit superior a 48 mil profissionais no país. Isso acontece em razão da evolução constante deste mercado, que é ainda mais influenciado pela inteligência artificial do que outros segmentos. Com novas funções surgindo quase que diariamente, torna-se desafiadora a missão de projetar as características do profissional do futuro, mas neste artigo nós fornecemos alguns insights com base em especialistas e em pesquisas recentes.

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As mudanças demandadas pela inteligência artificial

Estamos falando do estudo Skill Shift Automation and the Future of the Workforce, do instituto global McKinsey & Company. O levantamento dá boas dicas do que as empresas esperam e ainda vão esperar até 2030 da força de trabalho nos mais variados ambientes, inclusive o da TI.

A consultoria agrupou as competências com maior variação em demanda — negativa em positiva — em cinco grupos, o que nos dá algumas pistas em relação às características do profissional do futuro.

As habilidades físicas e manuais, representadas por operação e navegação de equipamentos, além de inspeção e monitoramento, foram as que mais demandaram horas em 2016 (203 bilhões), mas serão 14% menos exigidas pelas empresas até 2030. As competências cognitivas básicas, como entrada e processamento de dados elementares, alfabetização, numeracia e comunicação, terão demanda 15% menor, apesar de terem sido gastas 115 horas médias com elas em anos anteriores.

Finalmente, as altas habilidades cognitivas (8%), as competências sociais e emocionais (24%) e as skills tecnológicas (55%) serão cada vez mais requisitadas, uma vez que já consumiram previamente em um ano 140, 119 e 73 horas das organizações, respectivamente. A primeira inclui capacidade de instrução e escrita avançadas, habilidades quantitativas e estatísticas, pensamento crítico e capacidade de processamento de informações complexas.

A segunda, por sua vez, contempla competências avançadas em comunicação (falada e escrita) e negociação, empatia, aprendizado contínuo, capacidade de gerenciar os outros e adaptabilidade. Por fim, entre as skills tecnológicas destacam análise de dados, engenharia e pesquisa.

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Características do profissional do futuro mapeadas

É possível encontrar pontos em comum entre o que acredita o instituto McKinsey & Company e o World Economic Forum, que listou as 10 habilidades do futuro. Essas, por sua vez, são essencialmente comportamentais e privilegiam o “como pensar”, e não mais “o que pensar”. Veja:

1. Resolução de problemas complexos;

2. Pensamento crítico;

3. Criatividade;

4. Liderança e gestão de pessoas;

5. Trabalho em equipe;

6. Inteligência emocional;

7. Julgamento e tomada de decisões;

8. Orientação a serviços;

9. Negociação;

10. Flexibilidade cognitiva.

Abaixo, destacamos 3 características do profissional do futuro que mesclam skills técnicas e comportamentais com base no que a Impulso Network acredita. São comportamentos que, se adotados desde já em uma espécie de preparação para o que vem por aí, tornam maiores as chances de empregabilidade. São elas:

1. Senso de aprendizado e evolução contínuos

Você já sabe que o mercado em que atua é mutante e, portanto, as habilidades técnicas têm prazo de validade menor. Por isso, deve procurar atualizar-se sempre. Para tanto, aprimore a sua capacidade de se relacionar com as pessoas, on e offline, inclusive em comunidades como a nossa. Assim, poderá perceber que o caminho até a evolução tecnológica ficará mais simples.

Também não deve perder de vista algumas habilidades que são pré-requisitos constantes, independente da atuação mais frequente de robôs. A disposição para aprender é uma delas. Profissionais altamente qualificados que ocupam as lacunas deixadas pela inteligência artificial estão sempre de olho no que é tendência em suas áreas de atuação dentro da tecnologia e buscando de forma pró-ativa os meios para alcançá-las.

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2. Capacidade multitarefa

Além de ser um long life learning, há quem acredite que profissionais do futuro terão cinco carreiras ao longo da vida (isso se elas não acontecerem ao mesmo tempo). Por isso, também acreditamos que a capacidade multitarefa será cada vez mais demandada das pessoas no mercado de trabalho.

Especialistas ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo em uma matéria sobre como a inteligência artificial está alterando o mercado de trabalho garantem que a perspectiva é de que as oportunidades em TI exijam cada vez mais versatilidade. Em outras palavras, gerentes de consultoria e recrutamento de todo o país disseram que os generalistas terão mais chances de sucesso nos próximos anos. O que não quer dizer que sejam profissionais superficiais.

A proposta é que as pessoas que trabalham com tecnologia se esforcem para conquistar múltiplas competências, de design a negócios, como o próprio título da reportagem indica. A arquitetura de soluções é uma das profissões citadas como exemplo entre aquelas que devem ser tendência nos próximos anos, já que exige conhecimento global e abrangente do mercado. A capacidade multitarefa é mais facilmente atingida enquanto uma das características do profissional do futuro quando se olha para a própria carreira como uma empresa.

3. Flexibilidade para modelos de trabalho

A forma com que as pessoas trabalham também está em constante transformação. Devido à falta de mão de obra em torno de tecnologias específicas, as empresas estão cada vez mais contratando pessoas altamente qualificadas para atuar em projetos temporários. Você deve estar preparado para este cenário, que abordamos em um artigo específico sobre o futuro do trabalho. Nós aconselhamos que você leve em consideração esse tipo de oportunidade por três motivos principais.

O primeiro deles está relacionado à possibilidade de atuar remotamente, já que grande parte das vagas preveem trabalho em home office. O segundo diz respeito ao ganho de experiência nesse tipo de relação trabalhista, que aumenta a cultura empresarial de profissionais e empresas ao mesmo tempo. Por último, sua empregabilidade será maior depois de atuar em projetos desafiadores como os que estão sendo anunciados em redes como a Impulso Network, que valoriza as habilidades e o propósito de cada pessoa.

Em um contexto com cada vez mais robôs, é preciso desenvolver a consciência humana.

De que forma você está se preparando para adquirir as características do profissional do futuro? Acredita que sejam aquelas destacadas acima? Compartilhe conosco a sua visão pelos comentários.